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Altitude de Airbus é foco de investigação PDF Imprimir E-mail
  • Há dúvidas sobre se avião teria alcançado 38 mil pés, apesar de advertência de controladores; dado climático também é verificado

O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2014 | 22h 28

 REUTERS

Há dúvidas sobre se avião teria alcançado 38 mil pés, apesar de advertência de controladores; dado climático também é verificado

Altitude de Airbus é foco de investigação

 

JACARTA - As investigações sobre a queda do Airbus A320 da AirAsia no Mar de Java estão concentradas no momento em que a tripulação pediu permissão à torre de controle para mudar de rota e subir de 32 mil a 38 mil pés para evitar uma tempestade.

 

Há dúvidas sobre se os pilotos chegaram a mudar de altitude por conta própria, apesar de a torre ter advertido a não ascender a 38 mil pés até que checasse com outros controladores da região, pois havia mais aeronaves na área. Também está sendo investigado se a tormenta foi a causa do acidente.

 

“Sabemos que o tempo estava muito ruim e havia uma tempestade”, disse à agência Reuters uma fonte ligada às investigações. “Por que o piloto pediu para mudar de altitude? Outros aviões tinham feito o mesmo? Como os pilotos reagiram ao mau tempo? São perguntas que estamos fazendo”, disse.

O Comitê Nacional de Segurança de Transporte da Indonésia lidera as investigações juntamente com especialistas americanos, franceses e britânicos. Estão sendo recolhidos dados de radar, informações climáticas e as comunicações entre os pilotos e a torre de controle.

O presidente executivo da AirAsia, Tony Fernandes, disse que ainda é cedo para especular sobre as causas do acidente e reiterou a confiança em sua equipe de pilotos. “Nosso profissional era altamente capacitado, com 20 mil horas de voos. Vinha da Força Aérea e, por ser de Surabaya, conhecia muito bem a zona”, disse Fernandes sobre o capitão Iriyanto, que, como muitos indonésios, não tem sobrenome.

Segundo autoridades indonésias, o avião entrou contato com a torre 36 minutos após a decolagem e o piloto pediu para subir de 32 mil pés para 38 mil pés e virar para a esquerda. A torre então pediu para que o avião subisse somente para 34 mil pés e autorizou o deslocamento para a esquerda, mas não teve resposta. Três minutos depois, a torre perdeu o contato com o Airbus.

Assim que a caixa-preta for encontrada, especialistas vão examinar os dados sobre os motores, as asas, os sensores, assim como as conversas entre os pilotos e os ruídos do ambiente. Esses dados em conjunto podem ajudar a elucidar o que aconteceu nos últimos momentos do voo da AirAsia, que desapareceu no domingo.

A Airbus disse nesta terça-feira que está preparada para prestar “toda assistência técnica à investigação para estabelecer as causas do trágico acidente” com uma de suas aeronaves.

Os defensores dos transportes aéreos estão exigindo que as autoridades encarregadas da aviação global expliquem como um avião da AirAsia com 162 passageiros a bordo pode desaparecer numa era em que satélites e câmeras rastreiam cada movimento da sociedade.

“O sumiço de um avião deveria ser impossível” numa época em que as pessoas são capazes de descobrir a localização de seus carros e celulares com precisão, disse Paul Hudson, presidente da flyersrights.org e membro de uma comissão encarregada de orientar a formulação de regras da Autoridade Federal da Aviação dos EUA.

Durante dois dias as equipes de resgate tentaram localizar os destroços do voo QZ8501, da AirAsia, um Airbus A320 construído em 2008 e vistoriado pela última vez em novembro, que não deveria estar longe da última posição registrada pelo radar.

Segundo especialistas, já existe tecnologia que teria ajudado a limitar a vasta área de buscas no Mar de Java. Mas esses sistemas não foram totalmente implementados. Os sistemas globais de tráfego aéreo estão em diferentes estágios da atualização dos sistemas de radar, que serão substituídos por navegação via GPS com sinal via solo e satélite em meio às discórdias envolvendo empresas aéreas, governos e órgãos reguladores quanto aos padrões, custos e cronogramas recomendados de implementação.

 

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